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<title>Corneta-Cabeça  </title>
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<description>Palpites esfarrapados para rabiscos legais. </description>
<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 13:43:41 -0300</pubDate>
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<title>Corneta-Cabeça  </title>
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	<title>Quem Cala, Se Sente</title>
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		<description><![CDATA[<p>Mais uma palavra pra comer<br />
pra me rasgar<br />
me mutilar<br />
até dar o sabor e o prazer<br />
que sai da alma em forma de som.
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2009/02/13/quem-cala-se-sente#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 01:53:10 -0300</pubDate>	</item>
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	<title>Milenaneando</title>
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		<description><![CDATA[<p>Com muito leite e mel vão<br />
Aqui estou a te ver<br />
Como demônio brincante em meu cafezal encarnado<br />
Espantalho sou, a acalentar a volúpia que te esconde bem:<br />
Um anjo de valor<br />
Dois diamantes principiando a serem venerados.</p>
<p><em>No se toca, se mira<br />
No se toca, se mira<br />
No se toca, se mira<br />
No se toca, se mira<br />
No se toca, se mira<br />
No se toca, se mira</em>
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2009/02/13/milenaneando#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 01:49:39 -0300</pubDate>	</item>
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	<title>EX-AA</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2009/01/22/ex-aa</link>
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		<description><![CDATA[<p><em>“Embriague-se lhe em cessar para não sentir o fardo pesado do tempo; de vinho, poesia, virtude, a bel prazer!”</em> (Charles Baudelaire)<br />
Moro na cloaca do Bixiga. Antes de tudo, sou filho do Bixiga, coração da boemia paulistana – criando meu caráter de gole pra santo em gole pra santo. E o mais dantesco, nem viciado era. Nem mesmo da noite. Nunca tinha visto nem a própria menina-puta que dá início ao Xangô de Baker Street, aquela que cambaleava seminua e delirante na rua para morrer de graça na primeira golfada de vômito. Degolada pelo próprio vício.<br />
Ontem mesmo tinha vomitado granola e rúcula, quase dobrando a Rua Domingos de Morais. Tinha aproveitado também o almoço de ontem. </p>
<p>Estava com fome.<br />
E não é que elas tinham razão?</p>
<p>Alguém já tinha visto um viciado puro? Eu mesmo, quando conheci Samara. Típica menina-do-Rio, saudável até a medula, Q.I. de ameba em coma e alma nojenta pra caralho. Apesar de conseguir a proeza de engravidar de dois gêmeos num fim de semana (fruto de um golpe bem aplicado qual o gênio da raça fudido em Dalton Trevisan), pulando a cerca no quintal da Marsilac, ela se vangloriava de seu naturalismo “natural”. Não bebia, não fumava, não botava silicone. E não trepava, principalmente com pobre – era vulgarmente deselegante para a sua estética!... eu até que não fugia do seu estereótipo de virgemzinha suculenta: executivo da Herbalife, digna representante da indústria marombeira na BOVESPA, e por incrível que pareça, negócio não tão estressante embora tão milionário quanto uma arma de fogo ou um filme pornô. Pior: Samara se apaixonou por mim, a primeira e involuntária puxada de ferro.</p>
<p>Eu pelo menos tenho testoterona e nasci no Brasil – precisamente em Sampa. Morena alta, coxuda, corpo escultural, e com marcas no seio empinado que me deixava louco. Na parte mais lírica do “ficar” (ela viajava com casamento, que pra mim simplesmente é meia morte), enforquei até meu sagrado lazer profano: os jogos da Portuguesa no Canindé. Acredite, não é todo dia que você leva uma modelo para a cama. Pra que? Modelos no Brasil sempre buscam fama. Mas matemos por aqui meu preconceito infantil (ela já era o próprio).</p>
<p>Aceitei sem grilo. A Lusa estava mal das pernas e ia jogar fora de casa. Samara fez questão de me pegar no meu apê pra um bate-papo na casa dela, pertinho do Ibirapuera. Logo de cara, encontro com meu suplício cantinflesco: o pai dela.</p>
<p>***</p>
<p>O cara tinha volume e barriga de um bon vivant respeitado da paulicéia. Um careca de pele quase albina e muito falante, de uma alegria exaltada e boa prosa do vivant, mas bom ele seria se não fosse uma teimosia de jumento no politicamente correto. Ele também era da região, vizinho do meu Bixiga, porém o bairro dele era Santana, o mais tétrico e conservador dos bairros paulistanos. A sogra era senhora de lá, mendigava decência na televisão em todos os estúdios existentes: Sumaré, Brooklin, Avenida Paulista, Morumbi, Vila Guilherme, Água Branca, até o Aeroporto, onde foi atropelada à queima-roupa por um Santa Esmeralda. Morte instantânea ali mesmo, no outro lado da Avenida Miruna, em frente à TV Record, após um bate boca com o próprio Marechal da Vitória. Foi em meados de 81, onde o trânsito já pegava fama de animal. O irmão, de caráter velho em canções novas tal como ela, era inspetor do DOPS e integrante da TFP. Quando as Diretas chegaram, se enforcou num fio de telefone por se cansar da fama de reacionário.</p>
<p>Logo e quase de cara, Samara e o pai dele advertiam-me de sua mágoa com a fama de reacionários, só porque eram avessos à noite e preferiam Santana ao Bixiga. Então se diziam “de hábitos saudáveis” e nem era por menos: fundara um núcleo dos Alcoólicos Anônimos atrás de seu apê. Argumentando algo como não sei o quê – tinha me perdido em seu atabalhoado discurso de pastor – tinha me convidado para ir a uma dessas reuniões, com recíproco e imediato veredicto de Samara. Como já sabia dessas reuniões e não tinha botado uma gota de álcool na boca, tive uma relutância no princípio, mas acabei cedendo graças ao bom papo daquele senhor. E ao corpinho suculento da filha dele.</p>
<p>Gaiato que sou, já tinha fudido ela na noite seguinte. Horas depois ela tinha me deixado no local da reunião, e estranhei que ela tinha que ir embora e me deixar sozinho com outros tão teimosos no ofício de abstêmios. Mas aceitei, desde que ela me jurasse que ia me buscar para passarmos a noite in natura na minha casa.</p>
<p>***</p>
<p>Em um panorama ora engraçado, ora grotesco, fui bem recebido pelo grupo. Olhos com um certo brilho de faca cega, como que tivessem direcionado apenas para o próprio umbigo, ou seja, sua falta de álcool, de humildade e de natureza humana: eles não abriam mão do orgulho de serem abstêmios. Uma gentileza e educação maquiados com aquele olhar de alto a baixo, como se houvesse mais um alcoólatra para ser exorcizado – me sentia um índio tamoio em meio a jesuítas portugueses; “um gentio que precisava ser salvo”. Com a incrível sensação e proeza de um abstêmio no seco em meio ao AA.<br />
E naquela luta contra o vício, acabei pegando o vício.</p>
<p>Chegando para Samara depois da reunião, joguei tudo em pratos limpos: contava o clima, os exemplos, as doutrinas, as recomendações, etc, etc. Tudo em que você pensar em convencer o pobre otário a parar de beber (sem necessariamente botar uma gota de álcool na vida). Eu expunha, deixava a sarada ainda mais excitada, e quando ela queria saber mais do X da questão, dizia que era segredo; tinha que ficar entre os anônimos. E dava mais vontade de fuder aquela escultura de carne rígida. E ela se apaixonando ainda mais por mim, derramando-se em sua carência crônica. Cai numa arapuca de uma carente sarada. Mas como tudo tem um alento...</p>
<p>Enchi-me da Samara três meses depois, em um só click: recusei uma balada que ela queria curtir na academia e não quis. Acabei quebrando o pau e dei o fora – com todo mundo pensando que fosse uma espécie de incompatibilidade de gênios. Que nada! Era por causa de uma meditação “de estado” e um fulano de tal que tinha trepado com o primo por causa do álcool. Cada idéia que me aparece.</p>
<p>Como eu! Depois de dois meses, ela quis voltar e tinha dado um sinal. Já estava em uma sadia psicose, onde deixei de fazer meus projetos, trocar minhas idéias na agência, ir aos meus domingos no Canindé. Até deixar o emprego quase deixei, só por causa daquelas reuniões de abstêmios suspeitos. Era o último a sair e o primeiro a chegar, já dormi um fim de semana naquela sede e bebia toda aquela reunião com a dedicação mentecapta de um fanático religioso.</p>
<p>***</p>
<p>A depressão me bateu num outro fim de semana. A vida ficou chata demais com minha vida de monge adventista, de viver pela regra e matar-me a mim mesmo e minhas prioridades. Dureza pura: foi como se eu quisesse cair na real e eu mesmo não deixava, como se minha vida resumisse a ojeriza mortal a um inocente pingo de entorpecente (que talvez ia girar a roda da fortuna para mim e contra o tédio de uma vida adestrada). Vida besta! Que época chata de se viver! Então eu não como, não grito, não respiro, não tenho família, nem futuro, nem tesão, nem vida. Pra que é que eu vim ao mundo? Pra evitar o primeiro gole – se eu nunca botei uma merda de álcool na minha vida? Não bebo, não fumo, não trepo, não faço porra nenhuma: só vegeto, me mantenho um santo decaído pelo dever, por causa de um gole que nem sei se faz bem ou faz mal. E o pior é que nem se pode falar em suicídio – até porque eu já estou cometendo com o caralho da minha disciplina implacável a ponto de entrar numa rotina estática! Se eu tivesse, ah, se pudesse regressar, teria enchido a cara antes de conhecer Samara, agora tarde demais: nem se questione por que senão eu peco contra a moral... Vai tomar no cu, mundo cruel!!!</p>
<p>E de repente, uma luz no fim do túnel, uma orientação que tanto precisava.</p>
<p>***</p>
<p>Dilminha Py, uma intrépida bargirl & performer do Via Funchal, trombou comigo virando a Ipiranga com a São João. Meio sonsinha e muito simpática, do tipo irmã mais velha sem aquela chatice trivial, doida pelo som do Led Zeppelin que nem eu, e nas horas vagas, o topless mais sandy da Leões da Fabulosa, a velha jóia rubro-verde nos domingões de futebol no Canindé. Foi pura poesia. A cara da Daniela Cicarelli sem ter aquele seu pudor desgraçado. Valeu, Senhor, por essa trombada quase a meio-fio da esquina-bálsamo de minha querida capital paulista, tão poética quanto o Mário de Andrade, e tão filosofia a marteladas quanto Friedrich Nietzsche. Acorda! Você está bem? Atenção seu abstêmio fudido, se você ainda pode me ouvir, levante a mão direita! AA? “Ô, é mesmo”... Tomei a ela em minha mão direita e saímos sambando uma valsa do Jimmy Page pelo centro da cidade.</p>
<p>Altas horas depois, Samara e seu pai vieram me encontrar aos beijos com Dilminha. Não teve dúvidas, ela se jogou debaixo de um Scânia lotado de galinhas voando na pista molhada, e ele saiu relinchando do outro lado da esquina, pensando que era traição os beijos cálidos de Dilminha que bebia em minha boca – insisto: bebia um pecado de mel. Ah, ah, e eles pensando que era traição!...</p>
<p>Quando na verdade eu estava na minha cloaca. Na santa noite de garoa do Bixiga, devorando aquele gole gelado da primeira marca vagabunda de cerveja que botei na boca. Minha primeira e ansiada gota de álcool na minha vida; e <em>tout est bien comme tout est bien</em>!</p>
<p>(conto inspirado em cena do filme <em>Clube da Luta</em>
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2009/01/22/ex-aa#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 10:08:40 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>REQUIÉM DE ANTÍGONA</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2009/01/22/requiem-de-antigona</link>
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		<description><![CDATA[<p><em>“Ai de mim, sem lar entre os vivos, estrangeira entre os mortos.”. </em>(da peça Antígona, de Sófocles)</p>
<p>Estou de partida.<br />
Se são horas, não sei. Eu espero<br />
Vivo esperando neste porto de carne e osso<br />
Sem saber qual a nau que me levará<br />
Nem pra onde, nem como, nem porquê<br />
A vida é espera. A morte é viagem.</p>
<p>Amigos, inimigos, fracassos sonhados<br />
Lágrimas sôfregas brotando de minha espera<br />
Este porto metafísico e esta nau abstrata<br />
Mistério por si mesmo<br />
A vida é angustia. A morte é descanso.</p>
<p>Todos nós vivemos ao porto<br />
Em tensão constante pela nau a esmo<br />
Ainda que sob intriga, delírio, culpa ou fatalidade<br />
Ela nos espera já no cais do ventre.<br />
A vida é fúria. A morte é paciência.</p>
<p>Cais, porto, nau, ah... O que é o destino?<br />
Que forma ou traço surpreenderá os sentidos?<br />
Que paisagens degustarão enfim<br />
A platéia metafísica banhando-se à (não) luz?...<br />
A vida é doce. A morte é colorida.</p>
<p>Onde os opostos se casam<br />
Onde os concretos se derramam ao abstrato<br />
Onde baila enlouquecida em aquarelas negras<br />
A nau que nos carrega nessa dança ébria<br />
Com suores e lágrimas de eternidade e adeus<br />
A vida como ela é. A morte... como será?</p>
<p>- Não sei. Estou indo saber.<br />
						<em>“Olímpia Formol”</em>
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2009/01/22/requiem-de-antigona#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 10:00:57 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Ego</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/ego</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/ego</guid>
		<description><![CDATA[<p>Monstros e ninfas nuas superlotam a prisão de meus id’s.<br />
Não faço arte para críticos para críticos<br />
Faço arte para mim.<br />
Com licença<br />
E me desculpe juntar as lonas e saturar minh’alma:<br />
Hoje tem espetáculo!
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/ego#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 18:22:22 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIER-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR-BR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (ou Só Me Falta Um Potro Mouro Que É Pra Sentar Meus Arreios*)</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiier-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-ou-so-me-falta-um-potro-mouro-que-e-pra-sentar-meus-arreios</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiier-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-ou-so-me-falta-um-potro-mouro-que-e-pra-sentar-meus-arreios</guid>
		<description><![CDATA[<p>Música pode não ser exatamente como o futebol, mas todo mundo gosta e imagina saber alguma coisa. Natural. Até quem não sabe nem distinguir um tom precisa dela para dar colorido ao seu destino. E no sacro direito da opinião, está tudo aberto para sugerir, discordar recorrer ao pitonismo ou até mesmo revelar algo que é de seu desagrado. Naturalíssimo até certo ponto. O grande problema é quando tais explanações e críticas, como em estilos e épocas ultrapassadas do jornalismo, rompem os limites da coesão e coerência de pensamento, da ética, do bom senso e do respeito – pois isto mexe com gostos e intenções (sejam em qual grau estiver) que o cara mal conhece.<br />
	Dirá alguém: “É meu dever orientar o leitor pro que é bom!” Na ótica de quem? Sob qual ‘padrão ideal’? Confundindo ironia mordaz com deboche arrogante? Nada mais em sintonia com a sabedoria cristã do não-julgamento a afirmação do melhor jornalista esportivo do Brasil, Mauro Beting: Defecar regras é muito fácil, o difícil é ensinar. E o que as ditas viúvas da pré-histórica crítica jornalística tem mais feito é exatamente o anti-Beting: defecar regras, ou no seu gosto, ‘ironias’.<br />
	Paulo Francis, Fernando Jorge, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, José Ramos Tinhorão, Wilson Martins, até mesmo Oswald de Andrade – um dos papas do Modernismo Cultural brasileiro – e fora os outros nomes obscuros da crítica do passado. Criaram até seu cartaz por meio de suas escalas industriais ao produzir ajuntamento de cientificismos, tecnicismos, palavras e conceitos europofílicos, estéticas falhas, conservadorismos cadavéricos, preconceitos infantis e enxergar a massa popular como uma lepra bíblica. Assim era a moda e o status de um estilo morto e sepultado na imprensa brasileira. E que ainda assim cativa carpideiras fiéis, inclusive em Sergipe.<br />
	Não sei como foi a infância de um certo Igor Matheus, ilustre encilhador de roupas musicais no Cinform. E nem cabe saber, mas o texto de principiante e o conhecimento injetado no erudito e excludente Conservatório de Música de Sergipe tratam de fazer o seu retrato. O caso em questão é o da música sergipana, que há muito peleja por um reconhecimento mais expressivo no cenário local e nacional. Por hora, essa peleja também é por um amadurecimento na produção, divulgação e na crítica, quase que (re)instalada em níveis sergipanos. Em tempo: a peleja se estende na cultura sergipana como todo e é de responsabilidade de todo cidadão valorizar e fazê-la alcançar esse estágio; e a imprensa é a picanha deste churrasco, e o artista, filé-mignon.<br />
	Aliás, e a cargo de informação, o Artigo 17 do Código de Ética dos Jornalistas diz que é obrigação do jornalista zelar pela língua e cultura nacionais. Qual o quê, se o dito cujo estudante já estuda mal, escreve mal, canta mal e, quando é perguntado sobre Ética, ele pergunta: “Seria ela a trigêmea bastarda da Branca e Bia ou uma palhaça sonsa d’O Teatro Mágico?” (sic, e se a frase for correta, esse sic é proposital). No que depender dele, deve ser o último pangaré a ser ferrado em brasa.<br />
	Falando em Ética e pra não dizer que não se falou de música, surge o velho adágio: se não quer ajudar, não atrapalhe. Que se dane o seu ódio, seus traumas e suas rugas provavelmente lhe deixados pela música, mas é lamentável que se ponha em xeque o gosto e a difícil e prazerosa arte de escolher a música como ofício. Música que tem em si poder para curar ódios, traumas e rugas da alma. Dizem que a crítica também os expurga, até quando feito de forma irresponsável e destrutiva. O escriba deste texto perdeu o pai por suicídio, quase morreu por alergia à remédio, foi vítima de bullying na escola e soube vencê-los com a força de vontade e a fé em Deus (o que no desvario de Igordão é capaz de ser o Dioguinho da Veja) – logo, o escriba agradece por não precisar vestir a roupa de “crítico musical” para expurgar os sofrimentos da infância. E gosta de boa música, sim senhor!<br />
	Mas se nem este, nem gregos, nem araras e nem cajus são Bonfim ou Jozailto, tudo bem. A livre imprensa permite aos masoquistas e gentios de plantão que se deleitem com certos tipos de jornalismo que metem as esporas em boi xucro e fingem que orientam o leitor com a Igordura encefálica – mais fálica do que encefa. Tipos tais que já entraram queimando o filme, na visão de experientes jornalistas culturais da terrinha. Ora, se até um reles cavalo já tirou esse raciocínio, o que dirá o inteligente leitor, este potro mouro de raça. A não ser que na Igordura do Matheus, Dona Naspers e Reisado de Torquemada e sua-ética-por-um-estábulo, só lhe falta um potro mouro que é pra sentar seus arreios.<br />
	Mas, COMQUEARREIOS?</p>
<p>*verso final da música Pêlos, de José Cláudio Machado, considerada uma das pérolas da música nativista gaúcha. Potro mouro é como um jovem cavalo de raça é chamado nos pampas.<br />
Obs: Um dia pediram à Guga Oliveira fazer uma reportagem com algum membro da Trovão Azul  ou da Esquadrão Colorado, organizadas de Confiança e Sergipe; e ele recusou dizendo que queria viver. Quiçá alguém mande à Igordinho um CD de Proibidões da Trovão ou TEC pra fazer a próxima “crítica”.
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiier-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-br-ou-so-me-falta-um-potro-mouro-que-e-pra-sentar-meus-arreios#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 18:21:28 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Zzzzzzzzzzzz...</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/zzzzzzzzzzzz</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/zzzzzzzzzzzz</guid>
		<description><![CDATA[<p>Depois de um sono profundo, cá está este blog sem compromisso. Meu mural ambulante e esfarrapado para os meus racionalismos delirantes.<br />
Sigo escrevendo, ou tentando. Este foi um ano meio louco e muito bom, começãndo a ganhar uma gaita digna e suada e me realizando no trabalho. Em parte dos meus desejos. Brigando pelo meu prazer. Viajando e amando. Louco pelo Coringão.<br />
Assim que a cabeça coçar, vou girando o blog como posso.<br />
Pra virada do ano acho que vou abrir um outro blog, só de futebol: meu timão voltou louco pra dar alegrias.<br />
2009 fenomenal e de ótimos vocês para todos!
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2008/12/30/zzzzzzzzzzzz#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 18:14:35 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Do Jeito Que Ainda Nem Sei</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/12/29/do-jeito-que-ainda-nem-sei</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/12/29/do-jeito-que-ainda-nem-sei</guid>
		<description><![CDATA[<p>Se fosse chato, você agüentaria?<br />
Se fosse brega, você me cantava?<br />
Se eu falasse merda, me ouviria?<br />
Se eu te pedisse um beijo, me negava?<br />
Se trocasse de religião, perdoaria?<br />
Se sujasse tua casa, me limpava?<br />
Se tivesse emprego pra mim, ajudaria?<br />
Se tivesse um segredo, me contava?</p>
<p>Se eu fechasse a mente, me abriria?<br />
Se eu sangrasse a alma, me estancava?<br />
Se eu caísse em erro, me corrigia?<br />
Se eu perdesse a piada, gargalhava?<br />
Se me aporrinhasse, me acalmaria?<br />
Se enchesse a cara, me acompanhava?<br />
Se em você vomitasse, me xingaria?<br />
Se eu tivesse depressão, me curava?</p>
<p>Do jeito que eu sou, me deixa seguir<br />
Do jeito que ainda nem sei quem sou<br />
Me deixa (re)descobrir</p>
<p>Se eu escorregasse, me ergueria?<br />
Se gritasse em tua casa, acordava?<br />
Se me apaixonasse, me abraçaria?<br />
Se desse uma cantada, me enforcava?<br />
Se apontasse um caminho, seguiria?<br />
Se quebrasse teu espelho, restaurava?<br />
Se tivesse insônia, me alentaria?<br />
Se o tempo me cansasse, me acalentava?</p>
<p>Se eu compusesse mal, me zombaria?<br />
Se te devesse só amor, me cobrava?<br />
Se a vida fosse inferno, me salvaria?<br />
Se o céu fosse o limite, me levava?<br />
Se eu seguisse o jogo, ganharia?<br />
Se fosse arquirrival, pelejava?<br />
Se fosse um político, confiaria?<br />
Se eu fosse um ator pornô, você me amava?
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/12/29/do-jeito-que-ainda-nem-sei#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Sat, 29 Dec 2007 12:51:08 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Diversão (conto paulista-escatológico em 1 ato)</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/diversao-conto-paulista-escatologico-em-1-ato</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/diversao-conto-paulista-escatologico-em-1-ato</guid>
		<description><![CDATA[<p>Rodei num CD algo mais cultural pra aquele babado: um rock. Daquele tipo Lucy in The Sky With Diamonds, do Beatles, música até mesmo sugestiva para a minha sede de justiceiro. Peguei com todo zelo a Taurus velha da minha tia carregado e lustrei-o que deixei um brinco, pois não podia perder a oportunidade de brincar com minha vingança: havia um casal clubber me esperando.<br />
Estavam amordaçados com correntes e até uma sucuri morta pra dar sustância e não sofrer uma surpresa – e nem tinha como haver, pois choravam de raiva e medo por aquele momento, sentindo que estimei meu ódio americano examinasse os palominos de alto abaixo. Só então eu girei o tambor para o sorteio. O tambor deu um clima de cassino para a balada, empurrei com tudo e engatilhei o revólver na cabeça verde de uma patricinha sarada e convicta de ser do antro. Frente ao meu orgulho de ter atitude (ainda que de maneira duvidosa), só bastava um click.<br />
- Em que lado cê quer que eu estoure, pagodeira filha da puta?<br />
Tinha apenas o som do Beatles como testemunha. Estava chateado apenas por ter que manchar com os miolos de clubber (se é que ele tem) a camisa 10 do meu São Paulo, novinha em folha, que tinha ganhado do Raí. Fui sensato. Disse à nojenta que ainda não era a hora, só ia aumentar o volume do CD, tirar a relíquia pra considerar o terror das patricinhas, amarrar no “cabelo deles” uma camisa roubada da Gaviões da Fiel e pronto: os pombinhos diferentes podem curtir um bate estaca na desova da esquina.</p>
<p>***</p>
<p>- Não respondeu minha pergunta, cachorra?<br />
- O... raa se-eu...<br />
- Cala a boca, porra! Se encher o saco, vai no pirulito! Aliás...<br />
E de repente aquela boutique me deu pena. Depois de chorar tudo que tinha de chorar (mais pelo John Lennon e pela favela do que sua própria vidinha de daugether of the bitch) me olhou com olhos tão profundos que gelei por dentro: os verdes reluzentes e a fina sobrancelha desenhando perfeito com o nariz delicadinho, fora a boca de miss embebida em batom preto, lábios carnudos, perfume de gueixa, muito tudo. Ah, que pena: vou ter que mudar de idéia!<br />
Rasguei o meu short e girei o tambor novamente, a clubber agora vai brincar de boquete – até porque o 38 velho tinha um cano tão avantajado quanto o meu. Agora é ela quem decide ou pela baixaria ou pelo cemitério.</p>
<p>***</p>
<p>- Escolhe.<br />
- Tira essa musica...<br />
- Uhuhuhuhuhuhuhuhuhahahahahahahahahahah! Nunca ouviu falar de roleta-russa? Hein, seu viado bate-estaca?<br />
- Você me bateu!<br />
- Guti-guti! Olha bem aqui: de seis boates chiquérrimas dentro da minha máquina tem cinco sonzera doidinho pra entrar na sua mente. Qual que você quer?<br />
Um minuto e meio sem resposta decente daquele babaca. Aquilo já me enchia a paciência. será que eu sou burro o suficiente pra admitir um clubber ou é ele quem esta fazendo pose? Ai de mim, estou tomando até um olé dele, afinal ele era o namorado da filé, e o líder daquela gangue diferente. Diferente? Quando eu ficar bom com ele, alguém se habilita a imaginar dentro de um breu preto do baby-look pagodeiro, uma cabeça arco-íris tatuada e cheia de piercings depois de uma bala de AK fazer um beat bombado furando no meio daquela testa?<br />
- Tu tá querendo curtir com a minha cara, seu ousado? Sou eu que fico pagando a tua festinha fútil...<br />
- Você tá brincando.<br />
- Brincando eu? Matei uma porrada de playboy pra ver se eu saía da merda e tu acha que eu tô brincando? Chega de me enrolar, escolhe essa porra, vai!<br />
O cara conseguiu algo até então quase impossível: me esquentar. Já me acostumei a ver essa vida louca de arquibancada, mas não costumo me comportar como em dias de pegar a 9 de Julho no mulão da Torcida Independente pra ver o Tricolor salvar meu dia. Aliás, apesar de tantas críticas dos mais quadrados, esse lance de torcida organizada é excitante pra caralho – ainda mais em um país que se diz grande, tão bom de bola e é tão sem comida, tão fudido de grana, corrupção, miséria, onde lucíferes defendem a moral e os bons costumes para ocultar seus próprios crimes. Em meio a tanta palhaçada, tenho na violência meu único prazer: você acha que tenho que ficar feito macaquinha amestrada nessa porra de circo? Só pra agradar um Flávio Prado e seu chiqueiro epilético e cultural? Ah! Ah! Ah! Eu acho que não!</p>
<p>***</p>
<p>Depois de uma dessas andanças com a Independente, bati um ponto no Romanza assim que cheguei do Largo Paissandu, arrasado-me a treta que tivemos com a ilustre galinhada (Fora o baile que tomamos no campo). Elas tiveram o que queriam: dispersou nossa torcida na base de muito soco na cara, bomba explodindo nas canelas, rojão de 13 tiros, vários panos queimados e um mulatinho banguela ia me cumprimentar com um balaço no coração. E não deu, pois a polícia tinha chegado antes. Meio que discreto, pedi um drink básico pra garantir sossego pro meu bocado de grana, pelo menos mato a sede e quebro o galho. Até que uma loirinha seminua quase tipo clubber veio tentar uma cativa. E eu tentando ser um pouco discreto, pois sou exímio rabo de saia.<br />
- Oi, eu sou a Bianca...<br />
- Legal, gata. Não tem caô.<br />
- Hum! Encantado... Não sabia que era tão badalada por todas as classes...<br />
- Tu tá se achando, princesa!<br />
- Eeeeu? Você sabe que eu sou modéstia em pessoa. Deseja alguma coisa?<br />
- Não, só bater um drink e curtir uma erótica por aí. Se você, tipo assim, tiver a fim e quiser me acompanhar...<br />
- Eureka! Não fecho por menos de 350...<br />
- 300, que eu cheguei do estádio e tô meio ferrado.<br />
- OK, você venceu. Balada fechada – você sabe que eu sou muito chique, muito clubber, muito tudo...<br />
Já sei o que ela queria: um beijo de língua chupada pra calar a boca.<br />
- Tu enche muito o saco, isso sim.<br />
- Sou todinho seu, zulu! Onde vamos curtir a erótica?<br />
- Onde você quiser.<br />
- Tá bom. E apaga teu fogo que sou acompanhante de nível! Não encho saco de ninguém, viu?!<br />
Bianca!... aquele jeitinho moderno e bem solto em um corpo belíssimo enchia qualquer um de tesão. Mas depois vi que enchia mesmo a minha burrice. Eu já juntei minha turma da Indê pra curtir a balada com as cachorras – inclusive um playboy de menor, primo de jornalista e batedor da torcida no Morumbi, é quem garantiu o importado e o fashion, pra não fazer feio perante as ilustres. Aliás por que algumas putas insistem em se chamar acompanhantes? Será que é pra ser humilhada com elegância? Ou terem classe pra se esfregar com o primeiro que vier? Não! Talvez é pra valerem-se como objeto, pois antes da penetração, o pagamento – e como um provérbio solto por aí me dizia em mim, quanto mais valioso o cavalo, maior é o trote. E a queda também.<br />
A desgraçada acabou me levando a um rave em Interlagos. Em pleno mês de folia, o fevereiro sagrado de Momo. Eu crente que ia bater ponto na Rosas de Ouro ver os caras da torcida esquentando asfalto para a minha fuzarca, a batucada tinindo no vai, não vai, eu fui. Ao autódromo de Interlagos, aturar tímpano abaixo um bate-estaca eletrônico cheio de gente maquiada qual um espantalho, brasileiro... sim! Brasileiros, que por obrigação moral deveriam valorizar a farra da terra em que foram paridos, mas qual o quê! Eu mesmo quase morri batido ao meio fio do Largo Paissandu com um tiro no peito, nas mãos de um corintiano – que também foi parido no Brasil.</p>
<p>***</p>
<p>Fiquei na minha, pra considerar a noite e volúpia que poderia vir com aquela exótica putinha do cabelo verde; e só depois de um dez minutos naquela fuzarca que comecei a enjoar. Batidas eletrônicas que pareciam ser eternas me tremiam até no sistema nervoso, uma ou três cervejas para tentar aliviar o desconforto, que vai aumentando a medida que eu vou passando meu frio olhar aos milhares de aborrescentes meio que androgenizados por um estilo sem pé nem cabeça, que vai melindrando, alucinando, entorpencendo, até mexer o corpo por embaraços. Tamanhos quanto os arco-iris de penteados, breguices da última moda da Parada Gay, aliada com a fila de piercings dignas de uma joalheria de camelô. E outras estranhices complicadas de se explicar, mas com certeza escandalizaria até o mais humilde e agnóstico dos cristãos. Não me sentia bem, quando...<br />
- Desculpa, irmão! Você não pode entrar.<br />
- Como não? Essa mina veio me trazer até aqui e...<br />
- De que pagode você veio, jeca?<br />
- Tá falando comigo, hein?<br />
- Tô, por quê? Não sabe que aqui não é lugar de favelado?<br />
- E você, seu espantalho que chama essa porra de música?<br />
- Eu escuto. E daí? Não gostou, volta pro esgoto!<br />
- Só se eu te levar junto!<br />
- Ai, que meda!!!...<br />
O clubber já via nascer na fúria da discussão o níquel do meu 38 cuspindo fogo. O arrastão começou grosso, com aquele burburinho desesperado dos espantalhos. Não esperava que a galera da torcida era tão esquentada quanto eu, não tinha cu de ouro, se sentia tão culpada quanto eu no golpe da botiqueira. Porra, ela queria o quê? O que faz com outros otários da high, ficar com etiqueta e trocar o tipo A pelo nhem-nhem-nhem da boate, da boutique, o diabo que for? Agora deram pra me confundir com pagodeiro dor de corno? O que é que é clubber? Quem foi o desgraçado que teve essa idéia... Ah, não! Meus parceiros da Independente foram tão esculachados como eu, com dois ou três moleques filhos de retirantes, não queriam levar desaforo pra casa: adeus bate estaca, botamos todo mundo pra correr.<br />
- A rave acabou, seus filhos da puta!<br />
Tinha sentindo na carne, e na minha cara. Não apenas porque vestia com orgulho a camisa do Raí; trazia a ideologia de um mundo decente que a burguesia rejeitou, e certamente só não fui taxado de playboy por minha convicção de um filho que não foge a luta como cidadão, um legítimo punho cruzado, que se dá bem com negão do subúrbio boa gente só pra quem merece, essas coisas. Confesso que fiquei confuso naquela hora que o pau cantava no lombo, acabando com a festa - se é que eu chamo de festa, muito menos essa gente de gente, também parida no Brasil e por causa disso querendo o nirvana dos Beatles, escarnecendo e conjurando um irmão de cor, tão próximo e tão íntimo nessa imprevisível metrópole... Só quem é periferia sabe o que é passar por caô em turminha de shopping, graças a brilhante esperteza de uma putinha metida a moderna por causa de uma pica de ouro! E o playboy, que aproveitou pra xingar minha mãe, era o namorado dela! Pronto: esgotei-me da minha cota de antropólogo nessa paulicéia foda.<br />
Minha diversão estava apenas começando. Não queriam brincar com a minha cara? </p>
<p>***</p>
<p>24º DP. É até irônico demais para um machão depois da treta. Mais irônico ainda foi à sorte dos espantalhos lá da rave: ia apertar o gatilho quando a patrulha arrastou a favela onde eu estava. Flagrou o papai aqui exatamente sem camisa, quase melado de sangue e com o revólver fumegando, pois já tinha cumprido o dever de estourar o boy dela, e justo o cara que tinha me xingado na balada.<br />
Fui sincero ao delegado, disse o que estava sentindo e o que me levou a cair naquela treta, afinal não podia trair os meus impulsos, muito menos o meu caráter. Mas alguém tinha me traído naquela hora, ah, maldita hora em que se sente a sensibilidade saturada – ironicamente estava seguro de mim até então, mesmo quando a Gaviões quase me matou. Fichas feitas, atenção sôfrega aos papéis como se pressentisse um segredo atrás da treta, personagens apurados devidamente, e lá vamos nós para o reconhecimento.<br />
Os olhos penetravam fundos entre carrasco e algoz. Um perdendo a noção de frieza e segurança de si, outro querendo gritar toda a humilhação na hora. Nada tão dantesco que o olhar de um oprimido, seja lá qual for a treta. É como se sentisse a vida e a morte se beijando, e a sua consciência explodisse aos cacos, mais ou menos quando eu voltei a encarar a cara Bianca, álibi da roleta-russa frustrada.<br />
Era a minha filha e eu nem sabia.<br />
							12/08/2003
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/diversao-conto-paulista-escatologico-em-1-ato#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Fri, 30 Nov 2007 14:15:07 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Os Vegetais</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/os-vegetais</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/os-vegetais</guid>
		<description><![CDATA[<p>Os vegetais têm mil motivos para sorrir<br />
Pois o mundo não lhes impõe empregos para mendigar<br />
Nem suor e lágrimas para chorar<br />
Sequer o sangue para alimentar<br />
E fazer-lhes seguir nessa prova maldita<br />
De cada dia</p>
<p>Nem as penas quando se jogam poemas ao vento<br />
Nem o pinho que apenas tange<br />
Nem a pena que me corta e esturrica a pena<br />
Nem a voz para amordaçar-lhes<br />
A rouquidão do sortilégio humano</p>
<p>Pois seus nirvanas e explosões de gol<br />
São chuvas para suas lamas<br />
São ventos para suas fumaças<br />
São sóis para seus gelos<br />
São orvalhos para seus brotos<br />
Para enfim...</p>
<p>... descansarem de suas esperas eternas.
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/os-vegetais#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Fri, 30 Nov 2007 14:09:00 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Dureza...</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/dureza</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/dureza</guid>
		<description><![CDATA[<p>Quero acertar o blog e os ponteiros, mas nem no alvo certo acerto.<br />
Estive (e estou) aprendendo a juntar os trapos e tecer meu manto de rei.
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/11/30/dureza#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Fri, 30 Nov 2007 14:07:14 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>emBig Boster World</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/embig-boster-world</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/embig-boster-world</guid>
		<description><![CDATA[<p>Desconfio de tudo.<br />
Desconfio de meu nascimento.<br />
Desconfio de minha consciência tranqüila.<br />
Desconfio do meu direito de amar.<br />
Desconfio do meu direito de cidadão.<br />
Desconfio da curiosidade de família.<br />
Desconfio do que é para o meu próprio bem.<br />
Desconfio do meu orgasmo.<br />
Desconfio da baixaria roedora na TV<br />
Desconfio da defesa do meu time.<br />
Desconfio do cáften romanticamente amore mio.<br />
Desconfio da prova de matemática.<br />
Desconfio do observe-e-verá.<br />
Desconfio do ódio gratuito.<br />
Desconfio do amor (in)condicional.<br />
Desconfio do mistério (não) óbvio.<br />
Desconfio ao vivo e em cores.<br />
Desconfio da copia original.<br />
Desconfio do meu revólver.<br />
Desconfio da minha autópsia<br />
esconfio de quem amo e de quem odeio.<br />
Desconfio da vida e da morte.<br />
Desconfio do destino.<br />
Desconfio de mim mesmo.<br />
Desconfio de desconfiar tanto<br />
		         que tanto sou obrigado<br />
						a desdesconfiar...<br />
						...bandeireando!...<br />
						...drummondeamente!
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/embig-boster-world#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 01 Aug 2007 01:42:37 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Sobre Bergmann e Antonionni</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/sobre-bergmann-e-antonionni</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/sobre-bergmann-e-antonionni</guid>
		<description><![CDATA[<p>O resto é lágrima e película
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/sobre-bergmann-e-antonionni#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 01 Aug 2007 01:39:21 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Soneto de Frankfurt</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/soneto-de-frankfurt</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/soneto-de-frankfurt</guid>
		<description><![CDATA[<p><em>(da máquina de fazer (des)cultura)</em><br />
						<em>Para Messiluce Hansen</em></p>
<p>Sou capitão de uma industria cultural<br />
Tenho por arte o capricho e o contorno<br />
E vá de reto com o dantesco madrigal<br />
Com acidez de Horkheimer e Adorno</p>
<p>Venho aos teus pés, de alma estereotipada<br />
Trazendo a essência longe de ser arquetípica<br />
Pois me cansei desta rotina alienada<br />
Eu, denegrido por uma teoria crítica</p>
<p>Sentado a sala, eu mal decodifiquei<br />
O apelo frívolo de um pobre indigente<br />
Expondo o nu de uma sociedade sádica</p>
<p>Qual o quê?! Estava a porta e eu nem notei:<br />
Lá está meu id sob o efeito latente<br />
Em frente à caixa que dispara a bala mágica
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/08/01/soneto-de-frankfurt#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 01 Aug 2007 01:37:34 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Viva essa energia: você vai entender depois (13/07/2007)</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/viva-essa-energia-voce-vai-entender-depois-13072007</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/viva-essa-energia-voce-vai-entender-depois-13072007</guid>
		<description><![CDATA[<p>(texto com colaborações de Cazuza, Nélson Rodrigues, Fernando Anitelli e Jayme Caetano Braun)</p>
<p>O Pan já está entre nós. Mais um evento esportivo para enlaçar os cidadãos. Mais um?<br />
Não. É o meu Pan, o seu Pan, o nosso Pan.<br />
O Pan de Cabrália, Canindé, Txucarramãe, Caibaté, Analândia, Palmares, Trindade. O Pan de tantos Zés e Marias.<br />
Confesso que eu torci o nariz para o Pan que se inicia. Achava até no direito de secar o pago que nasci em toda competição como num ar blasé: “Ah, ganha a Rússia”, ou, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, “porque o Brasil não tem caráter”. Tudo bem, Mendelévs, Spitzs, Maradonas e Luganos, estamos com os braços abertos como Cristo maravilha, sintam-se abraçados os mesmos braços de Palmares, Seival, Laguna, Bahia, Guararapes, Avaí, Monte Castelo, Costa de Sergipe, Doi-Codi e Vila Cruzeiro, lugares onde o Pan chega como flor nascida no pântano.<br />
Flor que metamorfoseia o n para nascer o z, o Pan como rascunho de paz. União, respeito, calor humano pelo mundo e pelas Américas.<br />
O Pan de tantos cariocas desgarrados de sua cidade, de tantos forasteiros que fazem o Rio pulsar. O Pan do Rio, de São Paulo, de Porto Alegre, de Salvador, de Brasília, de Manaus. O Pan da "nossa pátria desimportante".<br />
E quem há de traí-la nesse instante de alento? Alento e lição para um Brasil vira-lata e destroçado, pela corrupção, pelo dinheiro mal gasto, pela má saúde, pela violência, por tantas crianças ceifadas nas esquinas e nas ruas. Por revólver, carro, veneno? Não, pelo voto mal depositado, pela obesidade consente da indiferença, pela falta de tesão pelo Brasil.<br />
O Pan de Gabrielas, Lianas, Joões Hélios e Vigários Gerais, estejam aonde estiverem.<br />
Mas essa mosca azul fulô que nos incomoda de dois em dois anos nos prende, nos confunde, nos enfia em um transe positivo que algum mandingueiro grego colocou a alcunha de esporte.<br />
E mais outro xangozeiro europeu arriou outra virtude: educação. E viveram felizes para sempre. Mesmo que um alquimista tupi derramou uma droga escondida e salutar: arte.<br />
Esporte... educação... arte... este triângulo de amor e de energia surge entre a Baía de Guanabara para preencher as corações, mentes e almas. E dissipar essa selva de desrespeito, violência, ignorância, anti-cidadania, comodismo, falta de auto-estima. Falta de amor à camisa que vestimos de 2 em 2 anos.<br />
Mas este triângulo tem alguma coisa a ver? Pergunte ao tio badminton, que já é compadre e chegado nas favelas cariocas, ao nego beisebol cantando com os tuiuiús no Pantanal, ao camarada trampolim que encharca crianças saltitantes na Paraíba, vizinho a aridez catingueira. Á pista de corrida nossa de cada dia nas periferias das capitais e nos cafundós do Brasil. Pergunte a quadra de basquete feita de terra batida. Pergunte a Jules Rimet beijada no México por um certo capitão que já era pujante no nosso primeiro Pan, na Paulicéia Desvairada e mística.<br />
O Pan está entre nós. De volta, 44 anos depois. Meu. Seu. Nosso. O Pan do Brasil!<br />
Relaxe e goze, mas esqueça a sexóloga dublê de ministra. Esqueça bois, furacões e navalhas, mas só por hoje, como guerreiro que se retira para pedir forças para uma nova peleja.<br />
Esqueça as traquinagens do destino, as espadas de Ivans, os buracos nos terreiros de Átilas, os relógios de Marianas, os cavalos de Vítores.<br />
Esqueça as picuinhas vis entre Gregos e Nenês.<br />
Esqueça o vil metal que cega Kakás e Ronaldinhos.<br />
Esqueça a ditadura da moda que pixotou Jacquelines, e que canta loas para Brancas e Bias sem saber que há Gláucias querendo sereiar com o encanto sua negritude.<br />
Esqueça a má vontade de Galvões, Renatas, Nusmans e Matarazzos com o Brasil embarrigado e caboclo que se esparramou no Maracanã sob baticuns de Lirinhas e brincantes.<br />
E os políticos? E o presidente? Deixa eles pra lá. Hoje quero vivas e não vaias.<br />
Samba, chore a nossa alegria e rasgue o céu do Cruzeiro.<br />
Villas-Lobos e Jobins: uma de suas fantasias, por favor!<br />
Joaquins, incendeiam os corações de pedra do nosso país!<br />
Caymmis: um de seus acalantos!<br />
Elzas, alimentem com suas lágrimas os tantos órfãos de Garrincha do meu chão, afinal feliz é o que “faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé”.<br />
Aos mais de 800 representantes de nossa alma, toda alma, garra, talento, gozo, luta com galhardia, busquem medalhas “à morrer”, sem deixar apagar dos olhos o fogo de um poeta. Mirem-se na elegância selvagem do galo de rinha, ainda que abatido, lutando por nosso ideal e brigando por instinto, “como quem diz: não me entrego, sou galo, morro e não grito.” Mas só esses mais de 800 num país de milhões? Quem gritará, rezara, chorara por eles? Quem vai assistir pela TV “à morrer” sem deixar apagar dos olhos o fogo de um poeta? Poetas como Nélsons, Jaymes, Rosas, Arianos, Fernandos e Cazuzas, que bebemoram o Pan em cada inconsciente de linhas mal traçadas.<br />
Hoje, o meu, o seu, "o nosso escrete precisa de amor. Chega de sermos vira-latas"! Só hoje, por 18 dias, por todo o sempre.<br />
Esse é o poder que essa energia louca por trás do Pan que eu torci o nariz. De responder para corações insensíveis sobre esporte: país que se pratica esporte tem menos congestionamento nos hospitais, nas sinaleiras, nas cadeias e nas rampas nojentas do Congresso, por mais que ele se diga “amigo” do esporte.<br />
Energia de transformação que abra braços e corações. Ou pelo menos, um graaaande começo.<br />
E não precisa ser no Pan: basta um grito de gol do seu time para invocar essa energia.<br />
Afinal, o Pan está entre nós: viva essa energia, se jogue, de braços abertos. Você vai entender tudo depois.
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/viva-essa-energia-voce-vai-entender-depois-13072007#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 18 Jul 2007 00:35:34 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Pestilíngua</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/pestilingua</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/pestilingua</guid>
		<description><![CDATA[<p>Fala o que tu queres<br />
Me dou-te a outra face<br />
Mas quem cala consente<br />
Quanto que você quer?<br />
Pra calar a boca<br />
E morrer de silencio?
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/pestilingua#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 18 Jul 2007 00:32:16 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Cordão da Angustiada</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/cordao-da-angustiada</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/cordao-da-angustiada</guid>
		<description><![CDATA[<p>O cordão ataca a doce marcha<br />
Da família com Deus pela liberdade<br />
De criticas puras e combalidas<br />
De patronos da sociedade<br />
De retardados quase suicidas<br />
De tradições desconjuradas<br />
De inteligência enlouquecida<br />
Pela disciplina desgraçada<br />
Lá vem o Cordão da Angustiada<br />
Atrás da felicidade perdida.</p>
<p>O cordão ataca o vil terror<br />
Da nossa divina comédia humana<br />
De quem é escravo do pudor<br />
E com a ilusão se irmana<br />
Queimando o filme de sua vida<br />
Com sermões e lições equivocadas<br />
Alegria e pureza ofendida<br />
Pela insanidade comportada<br />
Lá vem o Cordão da Angustiada<br />
Atrás da felicidade perdida</p>
<p>O cordão ataca a fantasia<br />
Do meu carnaval festa pagã<br />
Meu galo de esperança e poesia<br />
Me tecendo a clareza da manhã<br />
Só quem for sincero a louca vida<br />
Mesmo em meio a ela discriminada<br />
Do Senhor tem sua prece saciada<br />
Qual violenta felina adormecida<br />
Lá vem o Cordão da Angustiada<br />
Atrás da felicidade perdida
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/18/cordao-da-angustiada#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 18 Jul 2007 00:07:22 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Ufa... II - a missão</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/17/ufa-ii-a-missao</link>
	<guid>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/17/ufa-ii-a-missao</guid>
		<description><![CDATA[<p>Depois de um tempo sem computador e ressaca de São João, mas escrevendo muito, este reles blog está de volta.<br />
Resolvi também expor um pouco mais de mim, por meio de meus texto. Não necessariamente para fugir da cena da minha cidade, mas para também me juntar mais a tempestade voraz da energia artística.<br />
Meu verso é de quem quiser, pode vir quem vier. Divirta-se e desculpa a demora.<br />
Embora tem mais bytes entre o céu e a terra que nossa vã filosofia.
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/07/17/ufa-ii-a-missao#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 23:49:34 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>A Personal Trainer do CTG (conto)</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/06/27/a-personal-trainer-do-ctg-conto</link>
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		<description><![CDATA[<p>- Falsa gaúcha!<br />
Não agüentava mais. Ela precisava desabafar o infortúnio de ser forasteira à força. Nem um pouco Lana se misturava com a bagualeza. Furacão loiríssimo de corpo sarado, vida difícil com a família, bageense de sangue vivendo em Porto Alegre desde piá. Nunca cogitou apagar o seu fogo de fêmea no Rio Uruguai. Se lhe restava algum pudor, ah, era com o seu avô, o Tinocão, patrão de um afamado centro tradicionalista. Domingão na fronteira, com carne de rês suando gordura no fogo de chão e gaita surrada gritando vanera quadrada, tudo para a chinoca fitness se reconciliar com seus ancestrais farrapos. Mas não, era o cúmulo do caralho. Ela tinha a sede do asfalto e do bate-estaca no shopping do centro. Sentia-se a Lana em meio a Sodoma de concreto.<br />
- Vai ser saudável no inferno! Na minha estância não!<br />
Sem dúvidas: fugiu do Bagé de seu avô na primeira tropa.</p>
<p>Sabadão. Depois de um duro na academia, um duro na noite. Ferraris, Red-Bull’s, Cachorro Grande na veia e tatuado na bunda, golaço do Rafael Sobis... Eh, vidão!<br />
- Oi, minha gostosa...<br />
- Buenas, prenda, pro vovô não ficar tiririca!<br />
- Pára! Tô pouco me lixando pr’aquele fim de mundo!<br />
- Porra, será que não posso brincar com tu?<br />
- Não gosto que mexam com minha treta.<br />
Bico calado, apenas salivando futilidades e um possível eleito da noite de swing. Rodaram pela Goethe nas altas horas ela, Juliana, Marcinha e o primo Stanley, pinta de um perfeito galã de novela juvenil ou michê de filme gay. Estavam prontitos num restaurante vegan, batendo maconha e pegando pra Teniaguá o ilustre amigo do vô Tinocão, o inexpugnável Cortês. A grana compensaria conforme a fuleiragem. Só preservavam a couraça de uma pudica universitária e prenda nepotista.<br />
Era assim toda noite de fim-de-semana. Se Lana sentia-se de verdade, sabe Deus, mas naquela noite raramente escaldante do Sul não sacudia no fundo de sua libido como nas últimas farras. A deprê daquela briga não tinha passado, mas tentava disfarçar aquela barra. Por que escolheu estar mais bonita e saudável consigo mesma, e para abafar com a sua turma? Musa eleita, modelo encorpada, jogava e era jogada com a loucura dos homens que chegavam aos seus pés, fazia bem para sua saúde e auto-estima. Só queria viver conforme sua própria marcha, manter bem aberta a sua cabeça, rindo impressionada com algum taciturno apaixonado do colégio. Melhor assim, não como o poço de mágoas da sua família interiorana. O tio que a protegia de algum gavião era preocupado em praguejar os que eram contra a tradição, os sem terra e sua estância decadente nas Missões: morreu de tristeza, antes de tocar seu gado faminto além-fronteira. Calafrios de remorso? Como conseguiu tanta coragem pra fugir? Como vai se acostumar? Lana por vezes nascera estranha no mundo. Mas só não morreu porque peleia, com as pernas que botou no mundo, ainda que sôfrega e em cima de qualquer tolo e suado xiru.</p>
<p>- Vamos lá, meu tio, só hoje.<br />
- Só hoje? Tu nunca me deste uma chance de te ver no galpão...<br />
- Eu prometo. Tudo bem?<br />
Parecia naquele olhar desconfiado daquele velho que uma simples malhação iria torná-lo menos gaúcho, porque sua vida era o campo, a estância, em cima do crioulo puro-sangue se sentia mais saudável na dura lida da cancha, apesar da cachaça buena e gordura suculenta do churrasco no confete do arroz de carreteiro e da sua amarga seiva de cada dia. Maior era a sede de Lana em ter o seu patrão com hábitos mais saudáveis que aquela rotina (e uma cabeça mais atenciosa para o seu mundo jovem) e um corpo melhor que a robusta carcaça gaudéria. Mas o diabo da prosa é que ela não pediu pra nascer entre vigas, concretos e asfaltos fedendo álcool e suor, sob a fluorescente da academia e a negra da boate: Zona Sul, Porto Alegre, Terra do Nunca.<br />
- Tudo bem, guria. Veja lá o que queres!</p>
<p>O resto é luxúria.
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/06/27/a-personal-trainer-do-ctg-conto#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 27 Jun 2007 03:23:24 -0300</pubDate>	</item>
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	<title>Viva!</title>
	<link>http://locopepart.nireblog.com/post/2007/06/27/viva</link>
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		<description><![CDATA[<p>Vem, vida vã<br />
sem vácuos e vazios<br />
Vá me esvaziar<br />
a vilania de minhas vagas venturas<br />
Viva em mim o teu vigor em cada viva<br />
Envolto no novelo...<br />
... do tempo
</p>
<p><a href="http://locopepart.nireblog.com/post/2007/06/27/viva#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Wed, 27 Jun 2007 03:15:49 -0300</pubDate>	</item>
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